Olá buscadores!
Durante os festejos de Natal na casa de um casal de tios,
enquanto aguardávamos a ceia, meus primos discutiam o que gostariam de ver na
TV, sendo essa uma decisão difícil mediante a quantidade de canais à
disposição. Foi então que uma de minhas primas levantou-se e decidiu escolher
um DVD que “por acaso” foi o espetáculo Varekai
do Cirque Du Soleil
atualmente em cartaz no Brasil.
Fiquei fascinada do início ao fim. Já havia assistido outros
espetáculos do Cique, sabia o que esperar dos números e pirotecnia, mas aí de
repente PAN! Aquilo é uma aula de Kabbalah e Tarot em forma de expressão
corporal!
São tantas referências que nem vou citar todas, primeiro pra não alongar muito o post, segundo
para aguçar a curiosidade de vocês, buscadores e estudantes sérios (não, eu não
estou ganhando um só centavo fazendo propaganda para eles) que certamente
assistirão pela terceira vez a mesma coisa e sentirão necessidade de repetir
mais e mais porque os insights não param de dar luz à novas anotações.
Bom, vamos do começo. Vejamos o resumo do espetáculo
conforme informações no site oficial:
“Em uma misteriosa floresta no interior de um vulcão, existe um mundo extraordinário.
Um lugar onde tudo é possível, chamado Varekai.
Um jovem solitário cai dos céus e assim começa a história
de Varekai. Caindo de pára-quedas no meio de uma floresta misteriosa e mágica,
um lugar fabuloso habitado por criaturas de mil metamorfoses, este jovem homem lança-se numa aventura absurda e
intrigante. Neste lugar longínquo, onde tudo é possível, inicia-se uma celebração à redescoberta da vida.
A palavra Varekai
significa “em qualquer lugar” na
língua dos ciganos, os eternos nômades. Esse espetáculo é uma homenagem ao
espírito nômade, à alma e à arte da tradição do circo, bem como à paixão
infinita de todos os que continuam a sua busca
no caminho que leva até o Varekai.”
Há quem diga que o espetáculo conta a história de Ícaro, mas
não o mito tradicional, esses seriam os acontecimentos após sua queda devido ao
derretimento de suas asas por voar tão perto do sol. Aliás, acabo de confirmar
que o nome do personagem anjo é Ícaro mesmo.
O fato é que o “ser” que cai do céu lembra muito um anjo e a
esfera deTiferet. Ele cai na floresta misteriosa (Malkuth) e tem as asas
roubadas por criaturas estranhas (cujas cores lembram as das esferas da árvore
da vida). Ele tenta de muitas formas retornar, mas não consegue, está enredado
em Malkuth e sem asas... não pode voar.
Ainda no começo, há um personagem intrigante, um dos
palhaços cuja maquiagem faz com que ele pareça um babuíno, às vezes um sátiro. Ele alterna sua
personalidade entre cientista, inventor,
lembra muito a carta do Louco
do Tarot. No espetáculo ele é designado como O Vigia, veja a descrição do
personagem:
“Cientista louco e inventor de grande génio, coleccionador das memórias do mundo e intérprete de sinais, este é o homem que recebe sinais, transforma sons e adverte para acontecimentos vindouros.”
“Cientista louco e inventor de grande génio, coleccionador das memórias do mundo e intérprete de sinais, este é o homem que recebe sinais, transforma sons e adverte para acontecimentos vindouros.”
Outra figura marcante é O Guia, representação clara da
esfera de Daath e da carta da Morte, Saturno. Acompanhem a definição de acordo
com o espetáculo:
“Iluminado pelo sol de
muitos séculos, é uma espécie de amável e frágil avô, um velho sábio cuja
missão é inspirar e promover a mudança.”
E isso é só o começo. Em Malkuth o nosso anjo se apaixona
por uma criatura meio salamandra, meio mulher e num determinado momento do show
ela é “raptada” por criaturas belíssimas cor de água-marinha, com escamas como
as sereias, parecendo refletir a luz da lua cheia (Yesod) e nesse mesmo momento me parece (eu disse parece) que a voz masculina
que dá vida a todos os números entoa
estilo mantra tibetano LIIIIIIII-LIIIIIIII-THHHHH (Del Debbio se estiver lendo isso dá uma olhada
nessa parte). Aliás que há mantras nesse mesmo estilo em diversos momentos do
show.
Bem, muitos números acontecem no caminho mas dois em
especial me chamaram a atenção, o do naipe de paus e o dos gêmeos.
Este ao qual me refiro número do naipe de paus, é marcado
por um ser negro que parece um corvo gigante cujas asas são de fogo enquanto
belíssimos dançarinos vestidos de vermelho meio ciganos, meio dervixes realizam
evoluções fantásticas ao som de tambores que misturam música árabe com grega e
há também uma simulação de dança de espadas como uma dança de origem judaica
cujo nome não me lembro (Bruno, dá uma força, você disse e eu já esqueci).
O outro nomeado como número de gêmeos é feito por duas figuras
belíssimas, andróginas, vestidas de preto. Eles são o caos, o reflexo um do
outro, representam a dualidade. Suas evoluções espiraladas lembram a kundalini,
o caduceu e muitas outras interessantes. Em alguns momentos eles se parecem com
os desenhos maias ou astecas esculpidos onde o tempo já se esqueceu. Em outros
parecem escrever runas. Mas não vou dar detalhes, fica por conta de cada
buscador se aprofundar e fazer as próprias observações.
E o final? Bom, se você já tiver feito o curso de Kabbalah com o DD ou
estudado as histórias típicas que “ocultam” os caminhos da Árvore da Vida já
deve imaginar, um anjo, uma donzela... Não vou contar, assistam e tirem as
próprias conclusões!
Arrisco dizer que foi um dos melhores natais que já passei!
Mesmo nos momentos de descanso o véu se ergue a quem estiver disposto a enxergar
o que está por trás.
Aguardo vossos comentários!
Paz e luz!






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