terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Varekai, a Kabbalah e o Tarot


Olá buscadores!

Durante os festejos de Natal na casa de um casal de tios, enquanto aguardávamos a ceia, meus primos discutiam o que gostariam de ver na TV, sendo essa uma decisão difícil mediante a quantidade de canais à disposição. Foi então que uma de minhas primas levantou-se e decidiu escolher um DVD que “por acaso” foi o espetáculo Varekai do Cirque Du Soleil atualmente em cartaz no Brasil.

Fiquei fascinada do início ao fim. Já havia assistido outros espetáculos do Cique, sabia o que esperar dos números e pirotecnia, mas aí de repente PAN! Aquilo é uma aula de Kabbalah e Tarot em forma de expressão corporal!

São tantas referências que nem vou citar todas,  primeiro pra não alongar muito o post, segundo para aguçar a curiosidade de vocês, buscadores e estudantes sérios (não, eu não estou ganhando um só centavo fazendo propaganda para eles) que certamente assistirão pela terceira vez a mesma coisa e sentirão necessidade de repetir mais e mais porque os insights não param de dar luz à novas anotações.

Bom, vamos do começo. Vejamos o resumo do espetáculo conforme informações no site oficial:

“Em uma misteriosa floresta no interior de um vulcão, existe um mundo extraordinário. Um lugar onde tudo é possível, chamado Varekai.
Um jovem solitário cai dos céus e assim começa a história de Varekai. Caindo de pára-quedas no meio de uma floresta misteriosa e mágica, um lugar fabuloso habitado por criaturas de mil metamorfoses, este jovem homem lança-se numa aventura absurda e intrigante. Neste lugar longínquo, onde tudo é possível, inicia-se uma celebração à redescoberta da vida.
A palavra Varekai significa “em qualquer lugar” na língua dos ciganos, os eternos nômades. Esse espetáculo é uma homenagem ao espírito nômade, à alma e à arte da tradição do circo, bem como à paixão infinita de todos os que continuam a sua busca no caminho que leva até o Varekai.”

Há quem diga que o espetáculo conta a história de Ícaro, mas não o mito tradicional, esses seriam os acontecimentos após sua queda devido ao derretimento de suas asas por voar tão perto do sol. Aliás, acabo de confirmar que o nome do personagem anjo é Ícaro mesmo.

O fato é que o “ser” que cai do céu lembra muito um anjo e a esfera deTiferet. Ele cai na floresta misteriosa (Malkuth) e tem as asas roubadas por criaturas estranhas (cujas cores lembram as das esferas da árvore da vida). Ele tenta de muitas formas retornar, mas não consegue, está enredado em Malkuth e sem asas... não pode voar.

Ainda no começo, há um personagem intrigante, um dos palhaços cuja maquiagem faz com que ele pareça um babuíno, às vezes um sátiro. Ele alterna sua personalidade entre cientista, inventor,  lembra muito a carta do Louco do Tarot. No espetáculo ele é designado como O Vigia, veja a descrição do personagem:
“Cientista louco e inventor de grande génio, coleccionador das memórias do mundo e intérprete de sinais, este é o homem que recebe sinais, transforma sons e adverte para acontecimentos vindouros.”

Outra figura marcante é O Guia, representação clara da esfera de Daath e da carta da Morte, Saturno. Acompanhem a definição de acordo com o espetáculo:
“Iluminado pelo sol de muitos séculos, é uma espécie de amável e frágil avô, um velho sábio cuja missão é inspirar e promover a mudança.”

E isso é só o começo. Em Malkuth o nosso anjo se apaixona por uma criatura meio salamandra, meio mulher e num determinado momento do show ela é “raptada” por criaturas belíssimas cor de água-marinha, com escamas como as sereias, parecendo refletir a luz da lua cheia (Yesod) e nesse  mesmo momento me parece (eu disse parece) que a voz masculina que dá vida a todos os  números entoa estilo mantra tibetano LIIIIIIII-LIIIIIIII-THHHHH (Del Debbio se estiver lendo isso dá uma olhada nessa parte). Aliás que há mantras nesse mesmo estilo em diversos momentos do show.

Bem, muitos números acontecem no caminho mas dois em especial me chamaram a atenção, o do naipe de paus e o dos gêmeos.

Este ao qual me refiro número do naipe de paus, é marcado por um ser negro que parece um corvo gigante cujas asas são de fogo enquanto belíssimos dançarinos vestidos de vermelho meio ciganos, meio dervixes realizam evoluções fantásticas ao som de tambores que misturam música árabe com grega e há também uma simulação de dança de espadas como uma dança de origem judaica cujo nome não me lembro (Bruno, dá uma força, você disse e eu já esqueci).

O outro nomeado como número de gêmeos é feito por duas figuras belíssimas, andróginas, vestidas de preto. Eles são o caos, o reflexo um do outro, representam a dualidade. Suas evoluções espiraladas lembram a kundalini, o caduceu e muitas outras interessantes. Em alguns momentos eles se parecem com os desenhos maias ou astecas esculpidos onde o tempo já se esqueceu. Em outros parecem escrever runas. Mas não vou dar detalhes, fica por conta de cada buscador se aprofundar e fazer as próprias observações.

E o final? Bom, se você já tiver feito o curso de Kabbalah com o DD ou estudado as histórias típicas que “ocultam” os caminhos da Árvore da Vida já deve imaginar, um anjo, uma donzela... Não vou contar, assistam e tirem as próprias conclusões!

Arrisco dizer que foi um dos melhores natais que já passei! Mesmo nos momentos de descanso o véu se ergue a quem estiver disposto a enxergar o que está por trás.

Aguardo vossos comentários!

Paz e luz!

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